Archive for July, 2005

Relatório de Viagem Pela Vida

Sunday, July 31st, 2005

Oie! Fico muito grato de sua ilustre presença, caro leitor. No entanto, hoje vou atualizar minha vida para meu mim mesmo, num futuro distante… Nada de filosofias ou poemas, pelo menos nada programando. Se alguma coisa soar inteligente ou musical, entenda que foi instintivo.

Quando começo esse tipo de texto, busco lá trás minha última referência, mas o caso é que nesse blog ela não existe. Crie-o para publicar algumas coisas interessantes, esperançoso de conquistar opiniões felizes e infelizes sobre o que sei fazer de menos pior na vida, escrever. Portanto, vou fechar os olhos e tentar buscar qualquer mudança mais perceptiva.

Hoje é o sábado, final das minhas férias de meio do ano. A moça aqui de casa que eu costumo chamar de mãe em certo momento dessa semana, disse como rogando uma maldição: “férias assim nunca mais Lú”. Explico: ano que vem vou estar matriculado em uma faculdade e me matando para pagá-la. Nada de dormir de tarde, andar de bicicleta por toda São Paulo ou qualquer inutilidade do tipo. Mas, quando ela disse isso, não pude deixar de lembrar da quantidade de vezes que, por exemplo, eu disse aos meus nobres companheiros/irmãos/amigos que nunca mais iríamos freqüentar a padaria de tarde, tomar um açaí, olhar o movimento da mascote. Na realidade, isso continua acontecendo. Sempre aparece um futuro responsável e promissor que cedo ou tarde nos tiraria desse caminho, mas eis que hoje mesmo estávamos lá, rindo muito da balada de ontem, que sem duvida foi demais, cacete, como foi boa, Maeva, na Vila Olímpia. É claro, fazemos isso numa intensidade pequena comparada à antigamente, mas perae, não disse que continuamos vagabundos como antes.

Na verdade, eu estou muito longe disso. Finalmente, depois de alguns três ou quatro anos de espera, consegui convencer as autoridades superiores que tanto amo que é hora de arrumar um emprego. E lá fui eu para a pizzaria do meu pai, ajudar, observar, ganhar meu primeiro salário sem contar os shows, me comprometer durante os finais de semana até o fim do ano… Sim pessoal, enquanto vocês estiverem gastando, eu vou estar ganhando! Não sei quanto disso é bom, acho que como tudo na vida tem dois lados… Algumas coisas têm três, é verdade, mas deixa pra lá.

Cursinho daqui dois dias, uhu, eba, ihá… Já não é questão de querer estudar ou não. Eu simplesmente tenho que fazer isso, como o ar que respiro ou sei lá. Baixou o espírito responsável em mim, essa é a verdade. Assumiu o controle e eu não sei por que, achei muito bom.

Estou feliz. Tenho saúde, pouco dinheiro, muitos amigos, uma ótima família, nenhuma paixão, algum amadurecimento, alguns casos, alguns textos, muitos livros, muitas músicas e infinitas possibilidades na vida. Sou um jovem consciente, um imortal adolescente conhecedor da minha breve mortalidade. Estou contente com o fato de dormir com sussa e acordar com um sorriso no rosto, independente dos pequenos problemas. Essa paz, quase intocável, eu só posso olhar e suspirar, agradecer. Ela não tem data para partir, como não teve para chegar. Em uma rascunhada analogia, estou sentado em minha querida e velha prancha verde de bodyboard, sozinho, depois da arrebentação em Peruíbe, cantarolando suavemente “thugz mansion” e olhando e esperando, enquanto a próxima serie não chega. Saudades absurdas do mar, fala sério.

Que mais? Estou tirando minha carta, pensando em cortar o cabelo, 4kgs mais pesado. A banda nova vai bem, não muito, mas vai.

Confio que ninguém tenha chegado até essa linha do texto, então informo que é muito bom escrever assim, só por escrever. Deixar as linhas corram sozinhas e etc.

Beijos!

Posso viver alguns anos ou todos eles em paz, sabendo que ao me encontrar com o mar ele vai possuir o mesmo brilho opaco, a mesma paz irregular, a unidade que se faz onda ora, ora marola. Posso viver alguns anos ou todos eles sem os olhos de uma querida amada, mas não suportaria essa reles existência sem o doce som das ondas no vai e vêem da maré, no vai e vêem…

Escrever

Monday, July 25th, 2005

Quando escrevo, o tempo congela num frio intenso por alguns instantes. O mundo se fecha dentro de mim, acumulado com os meus sentimentos, quase preso em minha alma, até que transborda e sai de gota em gota pelos meus dedos cansados e por minha boca semi-aberta, que repete as palavras em murmúrios, como numa prece mal feita a um deus chamado inconsciente.


 

Não sei explicar o sentimento que me cerca quando termino uma poesia ou uma crônica. Ele é diverso e aleatório. Em certos versos encontro uma resposta para algo complexo. Em outros, formulo infinitas perguntas que me levam de encontro a novas perguntas. Alguns textos ou crônicas fazem com que eu sinta uma satisfação real, algo como felicidade. Não sei se é orgulho, ou outra coisa, não sei bem. Uma angustia me assombra nas frases mais sinceras. Elas partem do fundo do meu coração e saem por meus dedos com um avermelhado cheirando a sangue. É quando penso em parar.

 

Então me vem à realidade de que não é possível a um corredor perder suas pernas, um pássaro suas asas, o mar sua unidade, a vida a paixão. Eu não posso viver sem escrever. Portanto, mesmo que meus dedos cessem de mexer, meus motivos pareçam divergir, meu coração vire pedra, vou escrever até cessar de existir.

 

Canção

Quando o silêncio me encontrou essa noite

Deixei que corresse por meus dedos

E ele se transformou nessa canção.

 

Que fala sem falar na verdade

Das madrugadas que perdi com saudade

Dos sonhos que rasguei por você.

 

E agora esse fogo simplesmente apagou

Minha alma está completa, mas vazia.

Sim, a dor passou, mas ficou uma agonia.

 

Não porque sinto a tua falta,

Foi só porque fiquei
Sem meu beijo de despedida.

 

.Beijos.

.Lucas.Maio.

Inverno

Tuesday, July 19th, 2005

Não temas a solidão do frio desse inverno, porque logo chegará o verão e os corpos não sofrerão da necessidade de aconchego. Todos aqueles que juraram um falso amor para não permitirem que a vastidão de estar solitário os alcance, estarão fadados ao repúdio dos corpos e a aspereza das barbas, aos olhares indiferentes no café da manhã e a vontade louca de fugir com outro alguém. Só os amores verdadeiros durarão acima do frio. Esse vento gelado, de fato, faz com que lembremos de nossos amores antigos, adormecidos por um outono manso, expurgados por um verão atento. Acende, com fogo baixo, amores nem sempre bem vindos, que amam a primavera acima de tudo, mas não necessitam dela passar, porque todo romance nascido pelo frio é como o nascido no calor: curto e intenso. Na realidade, tudo isso não passa da necessidade de energia térmica, transmitida por abraços sem igual, por carinhos e trivialidades no quentinho da cama. Beijos molhados são esperados, mas são preferíveis os carinhosos aos desesperados. Agüentemos agasalhados e solitários, para não cometermos o plausível erro de inventar paixões abstratas, razões outorgadas, amores sem pé nem cabeça. Deixemos que apenas ele, acompanhado dele, (nosso coração e nossa alma), decidam por si só para quem devemos abrir o canto lindo de nossas camas e dizer, com total segurança, voz calma e serena:


 

“Deita aqui comigo!”

 

Lucas Maio

Beijos