Archive for August, 2005

Bandeira, Morais…

Monday, August 29th, 2005

Estou aqui relembrando um tempo antigo, quando eu não me preocupava muito com o que iria escrever. Era só eu e aquela tela preta, uns caras do Linkin Park fazendo poses malvadas, uns links para meia duzia de outros blogs desinteressantes e, mesmo assim, quanto coisa eu escrevia naquilo. Quanto sofrimento, quanto alegria, quanta coisa. Hoje eu não posso evitar dar risada quando entro sem querer no MSN da minha irmã e vejo mensagens apaixonadas, de crianças apaixonadas com pouco mais de 12 anos… Mas, agora, reflito como a minha realidade estava tão perto da deles, como minhas lágrimas eram as vezes sem motivos autênticos, apenas lamúrias de um jovem crescendo. Ainda são. Ainda cresço.

É porque agora não escrevo apenas para mim. Nem mesmo só para meus amigos. Tenho famíliares lendo cada letra, sílaba, frase. Não sei ao certo qual é o sentimento certo para essa situação. Reclamar de privacidade não adianta, afinal isto aqui é uma rede mundial. Todos tem direito de lerem o que quiserem. Mas eu também tenho direito de policiar minhas palavras, e é ai que perco para o blog antigo. Lá eu não tinha medo de dizer o que pensava, o que queria, como achava que as coisas eram. Aqui, tenho receio de magoar, desapontar alguém.

Talvez eu não consiga escrever para os outros, apenas para mim. Lembro do trecho da contra capa de um livro do Bandeira que, em coluna para o Isto É, foi pedido que ele falasse sobre si. Diz ele: “Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”. Independente do tema sobre qual escrevo, da forma, do método, de tudo, em minhas palavras sempre estará refletido meu estado de espiríto, a fase em que vivo, ou algo do genêro.

Infelizmente, isso não é tão aparente. Eu mesmo acabo de reler esse texto e não sei dizer se estou triste ou feliz. O tempo também não diz, porque ele ceifa meu passado e cria ou recria meus problemas. Portanto, me resta calar essa vontade infinita e perene de querer identificar se meus olhos são tristes ou não. Acabo caindo em outro velho/novo poeta amigo, Vinícius de Morais:

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste…

Fim do Mundo

Saturday, August 27th, 2005

Seria muito triste se o mundo simplesmente acabasse de manhã, num apocalipse matutino. Ficaríamos com aquele gosto amargo, de algo que acabou sem necessidade ou motivo, logo no começinho, deixando saudade. Pensaríamos naquele último dia do qual não aproveitamos, do qual não desfrutamos dos detalhes, do qual poderíamos ter vivido um tantinho a mais e não vivemos. Veríamos o céu se abrir num clarão branco, manchando o nascer do sol especial de um dia tão especial quanto esse. Não seria bom para as crianças, sem seu café da manhã e desenhos animados, não seria bom para os adolescentes, sem a oportunidade de uma fuga para casa da namorada em pleno horário da escola, não seria bom para o homem feito porque a esposa já saiu, está indo trabalhar mais cedo nessa terça feira, sem se despedir ela vai ficar brava, não seria bom para o homem velho, porque esse ainda nem acordou, está na cama gozando da sua aposentadoria, sem dúvida alheio ao fato importante, esse do mundo acabar, e coitado, todo mundo merece encarar a morte de frente. Definitivamente não seria bom de manhã não.


 

Seria muito chato se o mundo simplesmente acabasse de tarde, logo na cesta, depois do almoço. Chegar ao céu com bafo de arroz, feijão e bife não pega bem, o que iriam pensar nossos familiares, tão esperançosos e que tanto pediram para a Providência arranjar esse nosso fim do mundo. E o sono? Não, assim não é possível prestar contas pro pessoal lá em cima, com bafo e bocejando não dá. E eu nem estou contando que talvez possamos perder aquela garoinha paulista, leve e embriagadora, capaz de molhar até nossos mais profundos anseios, nossa alma, nossos problemas urbanosazendo o contato da rava,l rde, n dizendo que o fim do mundo ra marcar, musicas  me pega lendo um livro. . Também não estou contando o entardecer, que mesmo recheado de prédios, quadrados e opacos, meros obstáculos para nossa vida, às vezes é muito belo, é divino como o fim do mundo. Meu final de tarde na padaria, o passeio com o cachorro, a coca cola gelada depois de tudo que combina com coca, que é quase tudo. Não dá para perder nada disso, então não tem como acabar com o mundo de tarde não. Fora que eu estou querendo combinar um sunday com uma amiga faz tempo, e sunday é de tarde né…

 

Seria péssimo se o mundo simplesmente acabasse de noite, bem no meio da balada. Não poderemos voltar de madrugada, olhando para o céu, procurando as estrelas que insistem em se esconder por de trás da poluição e da sujeira, da violência e da arrogância do mundo que às vezes merece acabar. Estrelas que por analogia são a esperança nesse mundo vil, que talvez por nossas mãos esteja com os dias contatos… Mas enfim, sem estrelas? Sem lua? Sem brisa das três da manhã? Assim não pode.  Se com sono eu não podia subir, imagine bêbado! Ou pelado, dependendo da situação! De qualquer forma, no dia eu posso estar sem dinheiro, vai que o fim do mundo me pega lendo um livro, ou no MSN. Mas que fim de carreira sem graça, não? Portanto, nada feito, sem fins do mundo de noite. Não ia dar muito certo. Muita balada, muita coisa para viver no horário das corujas.

 

Ou seja, sem finais do mundo. Temos sonhos para conquistar, planos para desmanchar, vidas para marcar, músicas para cantar, dias para viver, de manhã, de tarde e de noite. Seria um grande desperdício levar tudo de uma só vez, assim, sem mandar um processo antes ou sei lá o que. Bilhete. Porra, até o governo faz isso, acho que não custa nada para o Onipresente uns anúncios na TV, propaganda na hora da novela. De fim do mundo para aquelas mentiras todas, não falta muito não. Para quem consegue acreditar naqueles ladrões engravatados, que mentem o ano todo, com o mesmo cinismo no rosto, um homem barbudo dizendo que o fim do mundo é na quinta, às quatro da tarde, não deve parecer um absurdo. Caramba, quatro da tarde, lá se foi meu sunday.

Música, Discussões e Planos

Friday, August 26th, 2005

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Engraçado como a música tem um poder que transcende qualquer explicação. Algumas composições passam batidas em nossas vidas, mal cantaroladas apenas por segundos breves. Outras vêm mudando nossas histórias, badalando nossas vidas, marcando de alguma forma uma fase, igual à trilha sonora de um filme de sucesso. Ou simplesmente nos levam de um banco de carro para sonhos vagos e longínquos, olhando perdidos para as placas na rua, quando na verdade a única imagem que vemos são aquelas dentro de nós. Animam nosso espírito, raptam nosso humor, combatem com violência nossos problemas, refletem o grito urbano e caótico do cotidiano. Por quê?


 

*

Perdi a capacidade para discussões. Certos tópicos, na verdade, se repetiram tanto em acaloradas gritarias, que meu, não há nada a acrescentar. Quanto mais eu afirmo uma coisa, mais a pessoa tende a desdobrar argumentos e contraposições. Eu faço o mesmo, é claro, principalmente porque tenho como desvantagem odiar estar errado, defeito grave. Mas atualmente nem me dou ao trabalho de entrar no “mérito da questão”. Tudo sempre acaba como num barquinho, dois remadores, cada um remando num ritmo, girando a canoa sem sair do lugar. Então, pra que? Não dá mais. Só digo que “esse é um assunto sobre qual eu não discuto”. Estou decidindo se essa passividade é boa ou ruim. Provavelmente ruim, mas de ser Dom Quixote eu já estou cheio.

 

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Planejando minha vida…
à Passar no Mackenzie, Direito.

à Escrever um livro.

à Morrer perto do mar.

 

Planos de curto, médio e longo prazo.

Novela Mexicana

Thursday, August 25th, 2005

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Coisas engraçadas na vida. Tipo acordar bem disposto, no horário certo, tomar um banho renovador. Comer dois sanduíches, arrumar a mala, escovar os dentes com vontade. Dar uma volta pela casa, andar de meias e observar o sol entrando pela sala, desejando um ótimo dia pro cachorro esparramado perto da janela. Despertar sua irmã com carinho, dar uma olhada no espelho, ligar o computador e deixa-lo puxando as músicas do James Brown. Finalmente descobrir que, se deu tempo de fazer tudo isso, possivelmente sua carona te esqueceu. Esqueceu mesmo, sem idéia. Lá vou eu de bicicleta, mas eis que lembro: ela está na bicicletaria. Sobra-me o ônibus lotado, passar por cima e por baixo das pessoas porque simplesmente ninguém vai descer no meu ponto. Pegar outro ônibus, porque senão não vai dar tempo de pegar a segunda aula nem fudendo. Você chega, e não consegue entrar na segunda aula. Coisas engraçadas da vida.


 

*

Novela das oito é o ápice. O ápice do ridículo. Desde o primeiro capítulo, sem nem admirar a telinha e apenas escutar as falas sem nexo e forçadas, já fui impelido a odiar cada personagem e o roteiro em geral de programa global. Mesmo quando passo pra cozinha em busca de uma banana perdida ou do meu santo danone, paro estático e observo o desenrolar de uma brasileira maluca que tem como sonho se ferrar nos EUA (como se ela não pudesse fazer isso aqui), um peão que resiste aos encantos de uma tremenda morena que fingi ser recatada, casamentos falsos, casais ricos e adúlteros, um cego Macgyver e o mais infeliz fato de todos: alguém vai conseguir achar um final feliz, para todos. Teremos um vilão infeliz, no máximo.

 

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Engraçado como as vezes a vida imita a arte: aturdido por mensalão, cpi dos correios, caixa 2 e Roberto Jefferson, não consigo deixar de sorrir para a triste ironia do destino, que como uma novela das oito, todos os personagens dessa novela mexicana terão seus famigerados finais felizes. E, talvez, um vilão crucificado.

Tuesday, August 16th, 2005

Oie! Começa à tarde de terça feira, cansada e parada como tantas outras.

Agora que comecei a trabalhar, os finais de semana passam velozes. Pra dar uma curtida é correria, descançar de manhã nem sempre rola, visto que meu sono é terrível: difícil eu conseguir passar do meio dia na cama, preciso estar com a alma muito sussa, a vida muito correta, nenhum compromisso. Ai eu durmo mesmo, dez horas pra mais.

Lembro de sexta, casa do Gaúcho, auê master. Causamos até umas quatro, por aí, e infelizmente eu fui diversas vezes derrotado pelo dono da casa no Game Cube. Beleza, na próxima eu ganho garantidissimo. Pra citar, conheci (naquelas) um cara capaz de chegar da casa de um amigo, deitar em um sofá (de fato confortável), dormir e só acordar na hora de ir embora. Quer dizer, ele foi totalmente nulo, tirando nossa idéia frustrada de lhe aplicar um montinho digno de recordações. Ficamos só no vídeo game e vinho.

Balada cara no sábado. Depois de uma pizzaria confusa, com pau no sistema e confusões desse tipo, fui sozinho até o Santa encontrar com o Paim, Bruna, Bianca, Gaby e uma amiga delas. Nunca tinha entrado lá, boas bandas, ambiente grande, pista black notável. Altos perdidos com sempre, garotas atiradas querendo um pouquinho de mim, gente esquisita, como em todo lugar. No final, foi muito divertido, sair com uma galera simpática, só que as três tequilas pesaram no meu bolso… E não só no meu, as meninas deram uma força pra eu não sair sobre chutes. Se alguma delas ler, obrigado novamente.

Cursinho de sempre, amores e paixões pipocando em cada sorriso e olhar. Estou utilizando da “Silverhawke” para ir e vir nas segundas, quartas e sextas, ficando um pouco mais por lá e estudando o quanto consigo. Ainda é pouco, mas já é muito melhor do que primeiro semestre.

Só atualizando a vida, pra variar um pouco. Resolvi não me considerar mais escritor até de fato escrever um livro, poeta até conseguir um belo soneto. Acabei chegando à conclusão de que, certamente, sou apenas filho, amigo e um baixista de merda. De resto, não tenho nada. Apenas sonhos e versos atravessado.

“Menina de Ouro”

Monday, August 8th, 2005

Hoje assisti pela segunda vez o maravilhoso “Menina de Ouro”, filme produzido, dirigido e estrelado por Clint Eastwood. O filme conta a história de uma garota chamada Mary M. (Hilary Swank), garçonete de uma lanchonete qualquer, que com 31 anos junta todos os centavos que tem e vai atrás do seu sonho, ser boxeadora profissional.


 

Lendo esse primeiro parágrafo talvez eu passe uma impressão errada, de que essa é mais uma produção bacana. Afinal, assisti duas vezes, usei a palavra “maravilhoso”, fiz questão de mencionar o diretor, deve ser um filme bacana. Mas ele é muito mais do que isso.

 

O que eu estou fazendo da minha vida? Aquela mulher de 31 anos, sem nada, só com sua esperança intacta, que transbordava por seus olhos vivos, sua coragem inabalável, seu otimismo perante o conformismo do treinador, a forma com que lidava com os problemas e dava sempre mais do que se esperava dela… Enfim, aquela mulher que deu o pouco que tinha em busca do seu sonho…  Ela foi capaz, bastou acreditar. Então, porque raios eu estou aqui, sentando em meu sofá, e não estou lutando, sangrando, gritando e dando tudo de mim, como ela, por meu sonho? Quando eu vou acordar para realidade de que nada mais importa além de buscar aquilo que de fato acreditamos? Quando eu vou fechar os olhos (ou abrir?) e encontrar dentro de mim a determinação que ela encontrou?

 

É contagiante vê-la na final do campeonato mundial. A felicidade de uma pessoa que chegou ao topo. Arriscou e conseguiu. Não só vencendo as adversárias no ringue, e sim na batalha mais importante de todas: aquela travada dentro de si mesma. Porque todos nos temos capacidade de chegar ao lugar mais alto da montanha, seja ele qual for. Mas, temos tanto medo de começar a escalar, pedra por pedra, deixando amigos, família, amores, tudo para trás, pedra por pedra, sangue por sangue… Temos tanto medo que simplesmente olhamos para aquela montanha e dizemos para nos mesmos “Nunca tivemos nossa chance”. Mentira.

 

O mais incrível do filme é o fato de que no mesmo momento em que ela ganha o mundo, ela parece perdê-lo. Quando estamos torcendo, vibrando, tão felizes quanto ela, eis que a vida faz-se tempestade, e a derruba do topo da alta montanha. Tão impressionante como a sensação de ter atingido nossos objetivos, deve ser a de perdemos tudo. Sinceramente, não consegui tirar o rosto Mary M. da minha mente.

 

Sinto inveja. Porque é infinitamente melhor ter vivido da forma mais intensa possível, mesmo que se perca o que se conquistou, do que esperar no sopé da montanha, enquanto a vida passa galopante e nos tira o ímpeto de viver, nossos sonhos, nossa alma. É melhor ter tudo e perder tudo, do que viver com nada e nunca ter tido nada.

 

“Menina de Ouro”. Aluguem.

 

Beijos, eu

Preguiça

Wednesday, August 3rd, 2005

Escrevo esse tratado com alguma esperança de mudança. Nesse momento opaco de um dia vazio, em que pouco produzi, busco força para vencer um inimigo fútil, porém poderoso. A preguiça.


 

Começar as coisas custa caro. A vida cobra que terminemos todas elas, porque tudo que é incompleto não serve. É insuficiente. Não é legal.

 

Mas somos massas uniformes de carbono, moléculas e água, bichos incompletos. Se nascessemos perfeitos, sem graça seria a vida. Nada teríamos a fazer, além de olhar uns para os outros e para o horizonte, esperando o inimaginável fim para depois da perfeição. Estamos aqui buscando completar o buraco, o tempo, o instante, seja com areia, barro, purpurina, metanol, leite. Nem quando morremos chegamos a esse auge, ainda assim temos que conviver com o fato de nunca alcançarmos o topo da condição humana.

 

Fico pensando se o bicho-preguiça é realmente preguiçoso. Imaginem tal mamífero indagar, “poxa, estou com preguiça de ir para cozinha fazer um pão”. Eu não consigo. É defeito humano, paralisar a vida, estancar as ações e escolhas, só para exercer seu grande “direito de escolha, livre arbítrio, ir e vir”. Liberdade é o cacete! Não somos livres quando bebês, mesmo nossos sorrisos mais inocentes tem de ficar registrados para posteridade. Não somos livres quando crianças, queremos brincar na rua e comer caramelo o dia inteiro e ninguém acha legal. Não somos livres quando adolescentes, queremos usar drogas, fazer sexo, chorar as pitangas por garotas feias e nos chamam de malucos. Quando saímos de casa e achamos que a liberdade está esperando na porta, encontramos o fiscal do imposto de renda, o guarda da CET, o padre da igreja vizinha da nossa casa nova, o prefeito da cidade, todos com contas para pagar antecipado nas mãos e olhares credores malvados. E então ficamos velhos, “a paz finalmente”, e descobrimos que essa paz é muito chata. Nossos filhos cobram de nós serenidade, nada de se aventurar, gastar horrores, “você já não tem mais idade pra isso pai”.

 

Tudo isso para dizer que ter preguiça não é direito humano porque somos livres para escolher o que queremos da vida. Morgar infinitamente na cama não é escolha. Não temos muita escolha, essa é a cerne da questão. Devemos dar o máximo de nós no instante em que levantamos até a hora em que dormimos. O fedor urbano cobra isso, o quadrado dos prédios, os números nos bancos, os olhares de quem não pode, os avisos de quem pode muito.

 

Portanto tenho que vencer a preguiça, passar no vestibular, encontrar uma namorada, aprender trocentas músicas, ser o melhor sempre e ainda achar que tenho liberdade para ser preguiçoso. Amigo, jamais. Vencido pode ser, mais iludido não. 

Vontades

Tuesday, August 2nd, 2005

Oie! Perdi, na realidade, a consideração por vocês leitores. Normalmente eu espero algum tempo antes de postar novamente. Assim, existe algum intervalo para que vocês possam ler com calma tudo que escrevo. Bom, cansei. A vontade de escrever voltou, e eu não reprimo mais minhas vontades.


 

Como quando decidi começar a trabalhar na pizzaria. Na realidade, tudo começou com um sorriso. Eu estava atrás do balcão, na hora do almoço, olhando distraído o movimento, esperando as coisas ficarem mais calmas para pegar uma carona com meu pai, quando ela entrou. Cabelos castanhos, longos, olhos pequenos, severos. Nem grande nem alto, nem perfeita nem feia. Carregava nos braços algumas pastas, tinha uma cara de estudante apressada. Sentou logo ali, perto do balcão.

 

Ela deu uma olhada no cardápio, meio incerta, até que levantou os olhos, sorrindo. Maldita. “Vocês têm strogonofe hoje?” falou musicalmente, e a música terminou em outro sorriso. Eu poderia dizer “Não, é só de terça feira!”, mas não consegui, disse “Vou dar uma olhada para você o.k.?”. Ela piscou. Matou-me. Quando dei por mim, estava atendendo todas as mesas, ajudando como garçom e sendo educado com todos. Tudo por causa do sorriso de uma desconhecida. Disso, para decisão de trabalhar nos finais de semana foi um pulo pequeno.

 

Outro impulso foi na de sexta-feira. Tinha acabado receber uma merecida grana da minha mãe, referente a uma maaling que fizemos, nós dois, para agência dela. Planos para esse dinheiro? Guardar, juntar, Ipod. Mas, algo me dizia que aquela noite não era ideal cautela. Era perfeita para uma balada da qual eu não sabia o nome, para encontrar e conhecer pessoas novas, para beber e dar risada com os meus amigos. E tudo isso aconteceu, em graus intensíssimos. Não sei se um Ipod valeria tanta diversão.

 

Meu tempo vai ficando ainda mais curto, minha vida começa a adquirir um tom mais adulto. O colorido da infância já passou, as cores berrantes da adolescência estão mais destacadas, mas consigo perceber uma unificação de nuances, projetos, momentos novos. Começo, de fato, a enxergar uma estrada a seguir, um caminho a tomar. Mas tenho plena consciência: viro-me e volto quando der na telha.