Estou aqui relembrando um tempo antigo, quando eu não me preocupava muito com o que iria escrever. Era só eu e aquela tela preta, uns caras do Linkin Park fazendo poses malvadas, uns links para meia duzia de outros blogs desinteressantes e, mesmo assim, quanto coisa eu escrevia naquilo. Quanto sofrimento, quanto alegria, quanta coisa. Hoje eu não posso evitar dar risada quando entro sem querer no MSN da minha irmã e vejo mensagens apaixonadas, de crianças apaixonadas com pouco mais de 12 anos… Mas, agora, reflito como a minha realidade estava tão perto da deles, como minhas lágrimas eram as vezes sem motivos autênticos, apenas lamúrias de um jovem crescendo. Ainda são. Ainda cresço.
É porque agora não escrevo apenas para mim. Nem mesmo só para meus amigos. Tenho famíliares lendo cada letra, sílaba, frase. Não sei ao certo qual é o sentimento certo para essa situação. Reclamar de privacidade não adianta, afinal isto aqui é uma rede mundial. Todos tem direito de lerem o que quiserem. Mas eu também tenho direito de policiar minhas palavras, e é ai que perco para o blog antigo. Lá eu não tinha medo de dizer o que pensava, o que queria, como achava que as coisas eram. Aqui, tenho receio de magoar, desapontar alguém.
Talvez eu não consiga escrever para os outros, apenas para mim. Lembro do trecho da contra capa de um livro do Bandeira que, em coluna para o Isto É, foi pedido que ele falasse sobre si. Diz ele: “Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”. Independente do tema sobre qual escrevo, da forma, do método, de tudo, em minhas palavras sempre estará refletido meu estado de espiríto, a fase em que vivo, ou algo do genêro.
Infelizmente, isso não é tão aparente. Eu mesmo acabo de reler esse texto e não sei dizer se estou triste ou feliz. O tempo também não diz, porque ele ceifa meu passado e cria ou recria meus problemas. Portanto, me resta calar essa vontade infinita e perene de querer identificar se meus olhos são tristes ou não. Acabo caindo em outro velho/novo poeta amigo, Vinícius de Morais:
Dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste…