Palmeiras. Sentado naquela carteira, no SENAC Santo Amaro, aguardando a famigerada prova, eu observava as palmeiras do lado de fora, através das janelas. Pernas cruzadas, mão no queixo, faltavam alguns bons minutos para o ínicio do teste. Sofria de ansiedade, mal daqueles que chegam muito adiantados aos compromissos. Os minutos corriam devagares, mesmo que eu quisesse adianta-los.
Então, olhava para as palmeiras. Balançavam com o vento, quebrando o silêncio. Como elas chegaram ali? Será que vinham da Bahia? Porque não pinheiros, cedros, castanholas? Porque palmeiras? Sua forma alongada nem era tão bonita, seu verde nem tão intenso. Talvez a escolha tivesse ligação com o barulho de suas folhas, que acalmavam nossas mentes. Ou, talvez por pura ironia: nós, trancados em luxuosa sala, almejando o calor das praias e o frescor das águas, da terra natal daquelas árvores.
Ninguém falava nada, era quase um enterro. Mal se respirava naquela sala 20. Se eu fechasse os olhos, certamente não perceberia que estava rodeado de pessoas, tão ansiosas quanto eu, batucando os dedos na mesa ou enrolando os cabelos em cachos, mascando chicletes ou comendo chocolates diet.
Mas percebi que os olhos de todos, assim como os meus, estavam vidrados naquelas palmeiras lá fora. Pareciam a atração do dia, um espetáculo sem igual. Em verdade não havia nada demais, além daquelas três palmeiras rumorejando em favor do vento. Fiquei curioso.
Depois de pensar um bocado, resolvi que as palmeiras eram só um foco. Estavam todos olhando para dentro de si, buscando respostas, perguntas, mistérios e problemas. Quem sabe nem tenham reparado nas palmeiras. O cheiro de medo subiu de brusco, quando reparei que ninguém mas estava perdido em devaneios.
O fiscal de prova tinha entrado na sala, com um chumaço em mãos, ou nosso destino, sei lá, dependia do seu grau de desespero.