Archive for December, 2005

Ao amanhecer

Monday, December 26th, 2005

Fecho o livro, olho o relógio. Tá longe, não enxergo. Me aproximo e vejo: 3h. Desligo a luz, chuto o cachorro (de leve), deito na cama, mas o sono não vem. Me remexo, viro de lado, tiro a camiseta, mudo a posição, abro a janela, esqueço que tenho que dormir, enfim, uso todas aquelas táticas inúteis, que não funcionam nunca.

Acordo, tem alguma coisa errada. Minha cabeça incomoda, o pescoço também. Faço força pra verificar as horas e desanimo quando vejo: 7h. Outra madrugada mal dormida.

Alguma voz, vinda do subconsciente, diz: vá tomar um banho, mané. Deixo a água quente cair devagar pela minha nuca, sento no box, aproveito o momento, esqueço qualquer coisa que me angustiava. Sai enrolado na toalha, faço um lanche leve, leio o jornal de Domingo e, devagar, quase sem querer, lá vem ela. Uma dormência, uma coisa estranha, desapegada de carinho, de emoção. Contagia meus movimentos, meus olhos, meu ritmo. Largo o jornal pro lado, vejo o cachorro pulando encima dele, procurando um bom lugar pra deitar. Fecho a janela, subo o coberto e gozo do valor inestimável do sono.

Até o 12h30min. “Acorda vagabundo!”.

(Engraçado como eu nunca reparei que as primeiras horas da manhã pertencem ao primeiro que acorda. A casa é dele, lhe são de direito. O silêncio, o sol vagarosamente através da janela, tudo. Depois todos acordam, todos se mexem, todos querem deixar tudo em ordem e partirem pra uma vida melhor fora de casa. Mas aquele momento, aqueles primeiros minutos, não se rompem, não se perdem. Te pertencem como a sonolência defronte ao espelho).

Reconhecimento

Friday, December 23rd, 2005

Conversava com um amigo sobre o futuro, especificamente nossas profissiões. Ele dizia que mesmo não curtindo ser, por exemplo, um engenheiro, mas ganhando 25 mil reais por mês, a tendência é acostumar-se com a profissão. A boa vida que a grana possibilita amansa nossos sonhos. Envelhecemos com uma família feliz, compramos nossa jazida no cemitério, empílhando nossa linhagem e etc. E eu concordo. Muita gente também.

Infelizmente, eu nunca consegui ver o meu futuro ganha pão como apenas um ganha pão. Sempre sonhei em poder transcender os limites de um cidadão, que cumpre pontualmente com suas tarefas, e lançar-me em uma empreitada rumo a algo mais díficil de alcançar. Não consigo descrever essa vontade, mas sei que ela está ligada ao altruísmo, ao ímpeto de ajudar as pessoas, faze-las seguir caminhos diferentes, melhorar nosso país ou, pensando de uma forma egoísta, de querer provar-se para mundo e para si mesmo.

Não que eu não preferisse constituir familia, ter estabilidade financeira. No entanto, certas coisas em nós não podem ser mudadas e, quanto mais tentamos, mais elas se enraízam. Não consigo imaginar um futuro em que mantenho uma conta bancária saudavel, mas os pés no chão. Quero voar pelas impossibilidades, mudar o mundo com meu caráter.

Mas tenho medo, porque acredito que ter consciência de nossas possibilidades seja o maior fardo para concretizar os sonhos. Afinal, sonhos impossíveis começam com uma dificuldade elevada, portanto aos escolhe-los não nos comprometemos muito em vencer. A vitória virá com um sabor doce, e a derrota não será tão amarga. No entanto, quando olhamos no espelho e vemos em nossos olhos a vontade de mudar o mundo, de fazer a diferença, e sentimos que temos nossa chance, as coisas dificultam. Falhar, nesse caso, é muito grave. Você esperava mais, todos esperavam mais, e você não foi capaz.

Tento me conscientizar. Não caberá a mim papel pequeno no teatro da vida, pois conheço as primeiras falas e o diretor mandou-me prosseguir de improviso. Não sei muito bem o que fazer a seguir, não sei se vou falhar ou vencer. Sei apenas que não vou manter minha voz calada, ou os gestos fechados, ou os olhos cabisbaixos. Vou encarar a pláteia de frente. Tentar realizar a útopia máxima: deixar o palco, aplaudido de pé, por aqueles que te amaram e aqueles que pela primeira vez ouviram teu nome.

Quero morrer, feliz ou infeliz, sendo aplaudido de pé.

Tardes de Maio

Tuesday, December 20th, 2005

Deixei que a chuva caísse sem peso em meu rosto, numa tarde antes ensolarada de maio. Caminhava sobre o meio fio de uma rua paulistana em passos lentos, medidos, todos ausentes do sólido concreto aos meus pés. Compenetrado, pensava em momentos antigos, enquanto as casas e ruas passavam rapidamente por mim. Quem me olhasse naquele instante poderia pensar, “Quem é esse garoto molhado e que parece ponderar sobre a vida?”. Se me dessem à oportunidade de responder, eu diria “Não sei. Mal estou aqui, para falar a verdade. Me encontro perdido em outros tempos”.

É por que não tinha nada de interessante para fazer em meu quarto, e acabei não resistindo à vontade de pegar minha antiga bicicleta e dar algumas voltas, perdido. Fatídico destino: a bicicleta estava com os pneus furados. Restou-me, acompanhado do inesperado, fechar a porta de casa e dar com minhas solas por ai. Não contava com a chuva. E se contava em meu subconsciente, não ligava, sinceramente.

Andava alheio ao tempo. Tudo passava, se transformando. A vida, a cada segundo, soando de modo diferente, e eu, contido em meu caminhar lento, deixava que esse tempo não se alongasse em minha pessoa. Mantinha dentro de mim outra época, de reis e rainhas, de doenças e vitórias, de decepções e acertos. Pensava no que queria pensar, por quanto desejasse. Não havia ninguém para me incomodar com uma tarefa mundana, como lavar os pratos ou levar o cachorro para fazer xixi. Eu andava pelas ruas de São Paulo e, Deus do Céu, pessoa alguma se preocupa com o que você pensa as 3 da tarde.

Em dado instante, parei. A chuva não tinha se intensificado, mas minha aparência era a de um cidadão que acabará de sair do mar, que habitava muito longe dali. Eu tremia, entre os pés e os cabelos molhados. Uma batida incomoda se repeti, saída dos meu dentes. Cruzei os braços em uma ignóbil tentativa de me aquecer, e olhei para os lados para entender minha localização. Não fazia a mínima idéia de onde estava.

Acabei caindo, certamente, em um desses bairros de pessoas muito ricas, foi o que pensei na hora. Era incrível como o barulho da cidade se ausentava daquele lugar. O silencio tinha se instalado, cortado apenas pela chuva que gotejava nas folhas e flores de um parque muito agradável, que ficava em frente às casas. Olhando mais atentamente, algo naquele parque fez, por algum motivo inexplicável, minhas entranhas dançarem, e aquele conhecido frio na barriga chegar. A causa: um velho banco branco.

Normalmente, essas praças costumam possuir uns quatro ou oito assentos (sempre múltiplos de dois), mas aquela praça possuía apenas um. Ficava muito perto da calçada. Desgastado pela erosão do tempo (que agora se movia dentro de mim na forma de uma gripe), era até um pouco bonito. Deveriam caber bem umas seis pessoas, todas apertadas. Mas, mais curioso que aquele metido único banco de praça, era a garota que estava sentada nele.

Tinha os cabelos até o ombro, castanhos e cheios. Molhados, davam uma aparência rebelde à garota, uma beleza incerta. Os olhos lembravam duas estrelas prateadas, num rosto de pele branca e suave. Ela mordia um canto da boca, fazendo voltar aquele sentimento de incerteza. Vestida com uma simples malha verde, braços sobre as pernas, que levemente estavam arqueadas dentro de um jeans antigo. Parecia quase em sua sala, assistindo tv.

Há poucos metros dela, eu parecia não existir. Ela olhava perdida para o chão. Tremia um pouco também. Como eu anteriormente, ela estava alheia ao tempo e a mudança do mundo, compenetrada demais em seus pensamentos. Pensei em incomodá-la com perguntas desinteressantes, como nome ou “O que raios você está fazendo debaixo dessa chuva” (pergunta essa que eu não saberia responder). Mas pensei de novo. Sentei ao seu lado, num movimento completamente imprevisível da minha parte.

Foi quando a chuva parou.

Eu nunca acreditei em coincidencias. Quer dizer, o céu estava mandando-me um sinal? Aliens, talvez? Era toda uma conspiração então, eu e a garota? Por favor… Era loucura pensar dessa forma, mas nós não eramos exatamente exemplos de sanidade mental. Eramos dois pintos molhados, tristonhos, tomando chuva aparentemente sem motivo, além da insuportavel estática da vida, que as vezes me levava a fazer coisas inesperadas, sem razão. Sempre foi do meu fetio. Tomar a estrada oposta, subir a escada mais ingrime, surpreender até mesmo o cara que me olhava toda manhã no espelho. Era uma forma de manter contato com a vida, com as escolhas, os caminhos, sair da inevitabilidade do destino. Que destino o cacete… Eu tinha minha história nas mãos, não admitia acreditar que alguém poderia controlar isso.

Sentado, senti uma ansiedade ainda maior que dantes. Estava novamente no primeiro beijo de um garoto tardio, no primeiro show com a banda, no primeiro seminário na escola, aos pés do caixão de meu avô. Aquele frio intenso, entende? Sem dúvida, eram algumas pedras de gelo, acumuladas e enfiadas dentro de meu estomago por um daqueles médicos que sempre esquecem o bisturi, ali entre um rim e o outro. E o pior de tudo era não saber exatamente o motivo de tanta insegurança. Tá, sabia, mas não saibia o nome do motivo. Perguntei:

- Qual é seu nome? - tentei fazer a pergunta soar da maneira mais casual possivel, estavamos apenas num parque desconhecido, sentados desconhecidamente, chegando mas perto de uma pneumonia do que de qualquer romantismo.
- Livia… E o seu? - Os olhos dela me olharam, me olharam porque provavelmente tinham vontade própria, tal era sua profundidade, sua beleza, seu brilho, a forma com que eles conseguiram tocar em algum detalhe dentro de mim que ninguém nunca tinha conseguido.
- Lucas. Mas você pode me chamar de “Gato Molhado”… - alguém tinha que quebrar o clima de enterro.

Ela sorriu, não gargalhou, sorriu, e eu pensei que fosse desmaiar. Estava apaixonado. Liguem pra minha mãe, pra minha avó, digam que essa garota ensopada do meu lado direito tem algo de eterno, de perene, de especial, e que se eu perder a chance de casamento agora talvez nunca mais a consiga.

- “Gato Molhado”? Isso parece sala de bate-papo 15 a 20 anos… - ela disse olhando para o chão, aliviando o peso daquele olhar em mim, pobre rapaz desprevenido. Correspondi a simpatia.
- Temos uma piadista aqui? Achei que você estivesse chegando de um enterro.
- E estava… - ela não me olhou, e talvez fosse melhor que tivesse feito.

Perdi o dom das palavras, fiquei mudo de nascença naquele exato instante, em que a chuva recomeçava, impiedosa.

Então, era isso, pensei eu. O dia, o mundo, o parque, o banco, todos pareciam tristes e quietos em demasia, apagados de qualquer brilho de alegria ou esperança, sem dúvida nenhuma contagiados por aquele ser ao meu lado, que irradiava uma aura meio nublada, meio cinza, fazendo com que cada árvore rumoreja-se um “sinto muito”, “as coisas vão melhorar”, “não fique triste”. Devia ser angustiante estar trancafiada pela pena, mesmo fora de casa, longe de grades, sem o poder duplicador de uma janela. Tudo chorava, tudo lembrava tristeza, porque uma garota ao meu lado estava triste. Deus, ela é especial, pensei de novo.

Minha voz voltou, mas a dela chegou antes.

- E você? Não tem frio? - a pergunta era meio estupida, mas nada poderia ser mais estupido do que a morte, então respeite o momento.
- Tenho. Calor humano é o melhor sabia? - não sei bem porque disse isso, porque raios disse isso, no entanto parecia que ela estava esperando algo assim. Pulou com o bumbum três vezes e encostou o corpo no meu. Deixou a cabeça cair carinhosamente sobre o meu ombro, as pernas colarem ensopadas nas minhas. Pareciamos um casal antigo, amigo, sincero. Eis que o romantismo deixou a pneumonia longe, bem longe.

Meu braço propositalmente fez o conhecido gesto de “espreguiça-abraça”, curto porém certeiro. Enlaçei aquela garota chamada Livia ao meu corpo, talvez querendo que ela alcançasse alguma porta de meu coração, há tanto tempo desabitado. Ficamos assim, os dois, colados pela água e por um sentimento esquisito de conforto, conforto debaixo de chuva e no frio. Seu cheiro finalmente chegou em mim. Lembrava algo antigo, como as Damas da Noite que povoavam a chácara de minha avó, que eu frequentava quando era muito menor. Dava uma sensação boa, de recordações e presente ao mesmo tempo.

O mundo devagava, é claro. Não sei o que aconteceu. Tudo apontava para um momento especial. A chuva caindo leve, em cada folha e pedra daquele parque, o vento que quase esmorecia, as nuvens que pareciam perfilar, o barulho da cidade longe, muito longe, nossas respirações um pouco afoitas, nossos corpos que buscavam aquecer-se um no outro. Podiamos escutar uma televisão perto dali, quase como um som intruso. Parecia uma partida de futebol, e eu não ligava. Um cachorro passou correndo perto de nós, e eu não ligava. Eu nem sabia onde estava, não dava a minima. Mesmo assim, apesar de todo esse ritmo, compasso, notas, algo de perfeito no obscuro da vida, a música parecia desafinada, sem harmonia, sem seguimento.

Essas tardes de maio são realmente engraçadas, não hilárias, por favor, apenas engraçadas. A chuva aos poucos foi parando, diminuindo, devagar, sem pressa. Tão logo, o sol apareceu naquele parque sem nome, saído de trás de um par de nuvens e árvores acima de nós. Iluminou nossos cabelos, chegou em nossos corpos, salvou nossos queridos pés de um gelo intenso. Aquecendo e reinando claro sobre nós. Não saberia dizer quanto tempo tinha passado quando escutei a voz da garota de novo:

- Tá, eu tava brincando. Ninguém morreu… Vai ficar bravo comigo? - ela colocou um afeto doce nas últimas palavras, como se falasse com o irmão mais novo.
- Muito. - sorri.
- Que pena, assim eu não te conto por que estou aqui…
- Se tiver alguma coisa haver com esse anel prateado apertado em sua mão, eu nem estou curioso. - ela saiu do meu abraço e fez careta.
- Quando você…
- Sei lá quando… - interrompi antes que terminasse.

Em certa parte daquele momento todo, eu vi de relance o anel prateado, brilhante pela água do mundo.  Para nossa pouca idade, só podia ser uma coisa: namoro. Pelo fato de não estar no dedo dela, e sim na palma da mão, não foi difícil presumir que ela estivesse magoada com o fim de um relacionamento. Por favor, eu lia Conan Doyle, “Sherlock Holmes” e etc. Esse enigma foi fichinha.
 
- Mas e ae, quem terminou? Você? Ele? - soltei descompromissado.
- Não quero falar sobre isso. - percebi que tinha feito a pergunta errada, a pior das perguntas talvez. Já estava preferindo o enterro. Ela levantou com brusquidão.

Não era muito mais baixa que eu, talvez dois palmos. Devo acrescentar nesse relato, como é óbvio, que notei suas caracteristicas fisicas. E que caracteristicas… Seu corpo era bem delineado, meio atletico. Era bem servida de coxas, deveria correr de bicicleta, fazer uns exercicios de rotina, talvez fizesse axé, balé, tango, tava tão na moda começar uma dança de salão… Enfim, ela era gostosa. Pronto, disse. Mesmo com a cara de brava, ela era do tipo que me encantava só de passar ao meu lado na praia.

- Eu já vou. Valeu pela companhia. - simplesmente virou e partiu, sem a menor consideração por esse vagante vadio.
- Vamos nos ver de novo! - gritei, enquando ela já estava cruzando as imediações do parque.
- Eu sei! - ela gritou em resposta. Alguma coisa de feliz saia de suas vocais, atravessava aquela distancia entre nos e chegava dentro de meu coração.

Ainda sentado, embriagado por uma mulher, respirei por alguns minutos e levantei.

Como uma maldição, o sol sumiu, o céu escureceu, a chuva voltou.

Ah! Essas tardes de maio. Hilárias.

parágrafo único

Tuesday, December 13th, 2005

Aelle sorriu.
- Quando um homem promete alguma coisa para sempre, está jogando com a verdade. Nada é para sempre garoto, nada.

(“Excalibur”, Bernard Cornwell, página 66)

revolução instantanea

Monday, December 12th, 2005

- Sabe, Paim, quando deito na cama a noite, tenho altos planos. Bolo projetos, faço as contas, fico me imaginando com tal garota. Na moral, até sofro com tanta vontade de viver.

- Sério?

- É. Só que, quando acordo, me invade uma preguiça… Uma vontade de ficar na cama e não fazer nada, de ser imparcial, de me desvencilhar das responsabilidades. Sei lá. Conforme o dia segue, eu vou ficando mais ativo, então chego no ápice. Quero conquistar o mundo, mas tenho sono, muito sono. Aí eu durmo.

- Mas, escuta… Estamos no Fran’s Café, as sete da manhã, comendo pão na chapa… Você não dormiu ainda.

- Nossa…

Passei a olhar o mundo diferente. Cada coisa podia ser possuída, cada erro podia ser consertado. Cada mal era passivel de recuperação. Arrastei a cadeira para trás, levantei lentamente. Olhava doravante, mas não via só as paredes amarelas, os cartazes de cigarros, as mesas e cadeiras. Eu via muito além. Além dos objetivos e dos sonhos, via o bem maior da humanidade, via minhas mãos sendo usadas para fazer o que era certo. Sentia, verdadeiramente, que deveria sacrificar minha vida por esse ideal, por todos, por essa utópia. Mas não ligava. Meu rosto era determinação, meus olhos energia, estufei o peito e…

E reparei que as cinco ou seis pessoas dentro da lanchonete tinham interrompido o que faziam. No caso, meu amigo estava com o pão embargado na boca à algum tempo, olhando desacredito para mim, numa expressão misto de medo e raiva. Ninguém respirava, o ar ficará tão tenso quanto num enterro.

Aos poucos, fui perdendo essa essencia avassaladora. Foi me dando um sono, uma vergonha, um sem explicação, que sentei e fique calado. Todos voltaram para sua rotina ao mesmo tempo, felizes de que cada coisa continuava em seu lugar. O mundo continuava imparcial.

simplicidade

Thursday, December 1st, 2005

feche os olhos e inspire,
toda vida e todo momento,
não perca tempo analizando.

deixe o ar correr pelo teu ser,
reanimando teu fraco corpo,
sem medo de seguir adiante.

abra os olhos e expire,
morrendo devagar e com carinho,
sentindo saudades de viver.

recomeçe tudo de novo,
redescobrindo caminhos antigos,
e quase sempre perdendo o fôlego.