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Wednesday, September 13th, 2006


Hoje tenho um emprego, conta no banco e estou cursando uma faculdade. Em suma, com 19 anos, poderia dizer que atravessei a adolescência e estou me tornando um homem. No entanto, não existem regras e metas fixas para que uma pessoa encontre sua maturidade.

           

Procuro no dicionário o significado dessa palavra, tão usada pelos pais, tão desprezada pelos jovens. Entre outras explicações, encontrei duas dignas de nota: “idade madura” e “perfeição, excelência, primor”. Na primeira, entendemos que uma pessoa alcançou seu desenvolvimento pleno, está apta à vida em sociedade e responsabilidades de um adulto (quantas vezes você, nobre leitor, já se questionou quanto a essa “óbvia” aptidão ou responsabilidade?). Na segunda, vista no sentido figurado, fica meu sorriso de descrença e deboche, pois ninguém pode se dizer perfeito. Além disso, a perfeição é uma chatice.

Posso ilustrar essa minha afirmação desse modo: quando um livro acaba, fica um vazio, uma angústia. O que vem a seguir? Não vem. Os livros possuem essa pitada de perfeição, porque concluem uma idéia, um tema, mesmo que não tenham um final, literalmente. A vida é um livro inacabado, cada dia é um novo dia, uma nova página, cheia de esperanças e frustações, vitórias e derrotas. A graça não está em chegar na última página, mas viver uma por uma, devagar, sem pressa, gozando das felicidades e tristezas com igual empenho, pois essas duas grandezas estão tão ligadas quanto todos os outros opostos que poderíamos comentar. Um não existe sem o outro, Yang-Ying, se me entendem.

Não quero conhecer essa maturidade, então. Prefiro ficar na inconstância, na possibilidade jovem de mudar e ser diferente toda manhã, sempre almejando mais, de preferência de menos pois, afinal, não existem umas dez ou onze coisas realmente importantes. Crescer é saber reconhecer quais são elas. Concordam?

Extraído da revista “Em Condomínios: Vila Mascote”, pág 12, edição de setembro, 2006.