Aprendi o teu nome.
Teu nome é Ilusão.
Na incerteza criada por essa descoberta,
Busquei os registros, os bilhetes, as cartas,
As pistas que teu carinho me legou.
Procurei em vão respostas;
Tua essência misteriosa, teu abandono,
Tua necessidade de liberdade.
Descobri, enfim:
Tu querias ouvir as mentiras do Poeta,
Sem imaginar que na lírica noturna,
Também se escondem desejos ordinários.
O Poeta só anseia as facilidades,
Não busca, não luta, não invade limites;
Não sufoca criminosos, não salva inocentes;
Sonha.
Mas, quem sabe…
Poderíamos colocar nossas fantasias
Dançariamos, numa noite de sexta-feira
Já despidos das máscaras,
Das promessas de fidelidade, do futuro,
Da poesia.
O pecado da tua voz, o calor da tua pele,
Acalmariam minha razão,
Elevariam meu desejo e imprudência.
Nada seríamos, além do que um dia supomos:
Ressaca tempestade calamidade, meu bem
Um rio repressado, rompendo seus diques,
Afoito, indigno,
No silêncio arriscado da madrugada.
Escuto teus passos,
Pressinto teu gesto, teu gosto e perfume.
Sempre fui um viajante, buscando você.
Mas quem é você?
*