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	<title>é o fim</title>
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	<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 21:30:09 +0000</pubDate>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 21:30:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Meu silêncio durou um ano e um dia. Ainda que falasse descontroladamente nas entrevistas de trabalho, nos corredores da faculdade, nos sermões em minha casa, um outro meio de comunicação ficou estagnado, teso: escrever. Claro, a habilidade foi embora. A falta de prática, a inconstância na leitura, transformaram meu texto. Ele agora é cheio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small">Meu silêncio durou um ano e um dia. Ainda que falasse descontroladamente nas entrevistas de trabalho, nos corredores da faculdade, nos sermões em minha casa, um outro meio de comunicação ficou estagnado, teso: escrever. Claro, a habilidade foi embora. A falta de prática, a inconstância na leitura, transformaram meu texto. Ele agora é cheio de adjetivos, erros de digitação e gramática, conexões mal feitas. Sou uma criança escrevendo sua redação livre, na volta às aulas. Não lamento, só parto dessa constatação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small">Nem lamento outra coisa que perdi. Uma amiga brincava, dizendo que meu blog era uma loucura, uma profusão de Lucas diferentes. Eu não me comunicava com outras pessoas por meio de palavras. O que fazia era estabelecer uma discussão entre essas personalidades que compunham meu cotidiano. Era tudo exposto, mas interno. Diversas vezes repetia que adoraria que um desses lados sumisse, um de cada vez, até que apenas uma faceta soberana reinasse sobre meu presente e meu futuro. Desejo concedido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small">A poesia já não me serve de muita coisa. A literatura em geral me cansa a vista e me traz sono. Pego em livros sobre como administrar meu tempo, aberturas e movimentos elementares do xadrez, técnicas milenares sobre sexo tântrico, e gosto. Fujo dos Cervantes, dos Dickens, dos Sagaranas, fujo de tudo que tome meu tempo e me impeça de construir as vigas da minha sorte.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: Times New Roman;font-size: small">É que agora eu sou um operário, que utiliza os sonhos despertos como peças de um monumento gigante, que terminado e revisado, só servirá para fazer sorrir meu netos e bisnetos. Não tenho mais aquela pretensão de mudar o mundo, só o espaço que alcanço. E isso já é tanto&#8230;</span></p>
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		<title></title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2009/01/07/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 22:27:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Queimar os versos, rasgar as crônicas, apagar todos os rabiscos no topo dos cadernos de Direito. É o fim? Talvez mais um, em tantos que inventei e logo esqueci. Talvez definitivo, por que tudo deve acabar um dia, até minha pretensa vocação de blogueiro.<br />
Já resta pouco assunto, na realidade. As vezes falo do mar, as vezes falo de amor, dois dos três signos que me angustiam, me crivam a carne de dúvidas e prazer.<br />
Passou o romantismo exagerado, passou o heroísmo confuso. Restou um homem certo sobre alguns aspectos do seu destino, pronto para mudá-lo no impulso de um segundo. Não cabem confidências, nem qualquer necessidade de afirmação por parte do mundo. Eu sei que escrevo, isso basta. Me livra de algum peso nas tardes sem sol. <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Deixo um beijo afetuoso para quem buscou encontrar-se nos meus versos, e provavelmente se achou, pois basta pouco para tornar-se um soneto, uns olhos, um jeito de rir... Deixo um abraço aos amigos fraternos, que por obra do acaso ou do costume as vezes passam por aqui. Eis então, talvez o fim.<br />
<br />
<img src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3812825.jpg" /><br />
.</span></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Queimar os versos, rasgar as crônicas, apagar todos os rabiscos no topo dos cadernos de Direito. É o fim? Talvez mais um, em tantos que inventei e logo esqueci. Talvez definitivo, por que tudo deve acabar um dia, até minha pretensa vocação de blogueiro.<br />
Já resta pouco assunto, na realidade. As vezes falo do mar, as vezes falo de amor, dois dos três signos que me angustiam, me crivam a carne de dúvidas e prazer.<br />
Passou o romantismo exagerado, passou o heroísmo confuso. Restou um homem certo sobre alguns aspectos do seu destino, pronto para mudá-lo no impulso de um segundo. Não cabem confidências, nem qualquer necessidade de afirmação por parte do mundo. Eu sei que escrevo, isso basta. Me livra de algum peso nas tardes sem sol. <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Deixo um beijo afetuoso para quem buscou encontrar-se nos meus versos, e provavelmente se achou, pois basta pouco para tornar-se um soneto, uns olhos, um jeito de rir&#8230; Deixo um abraço aos amigos fraternos, que por obra do acaso ou do costume as vezes passam por aqui. Eis então, talvez o fim.</p>
<p><img src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3812825.jpg" /><br />
.</span></p>
</div>
<div></div>
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		<title></title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/12/29/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/12/29/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2008 23:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[alma]]></category>

		<category><![CDATA[Bodyboard]]></category>

		<category><![CDATA[fragmentos]]></category>

		<category><![CDATA[Surf]]></category>

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		<description><![CDATA[<p id="staticDescription1229402921" style="FONT-SIZE: 11px"><font face="Tahoma">Imagine se o tempo todo você sentisse aquilo outside te oferece. Não falo do sopro de vida no ato de dropar uma onda, de construir linhas inexatas sobre sua superfície lisa, observando enquanto aquela massa de água se precipita e em alguns segundos explode sobre seu corpo e prancha. Seria injusto, um bando de homens e mulheres felizes demais para parecerem normais, fazendo coisas inúteis e sorrindo, assobiando. Falo da paz, da plenitude, do sentimento de vazio que te preenche e te engole, tornando você um viciado por aquele horizonte azul, um solitário sempre esperando, aguardando, sabendo que o próximo momento sempre vai ser bem melhor. Não é alegria, mas uma certeza de que a resposta para todas as nossas perguntas está logo ali. De que o medo que sentimos tem fundamento: ele nasceu para ser superado.<br />
.</font></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p id="staticDescription1229402921" style="FONT-SIZE: 11px"><font face="Tahoma">Imagine se o tempo todo você sentisse aquilo outside te oferece. Não falo do sopro de vida no ato de dropar uma onda, de construir linhas inexatas sobre sua superfície lisa, observando enquanto aquela massa de água se precipita e em alguns segundos explode sobre seu corpo e prancha. Seria injusto, um bando de homens e mulheres felizes demais para parecerem normais, fazendo coisas inúteis e sorrindo, assobiando. Falo da paz, da plenitude, do sentimento de vazio que te preenche e te engole, tornando você um viciado por aquele horizonte azul, um solitário sempre esperando, aguardando, sabendo que o próximo momento sempre vai ser bem melhor. Não é alegria, mas uma certeza de que a resposta para todas as nossas perguntas está logo ali. De que o medo que sentimos tem fundamento: ele nasceu para ser superado.<br />
.</font></p>
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<div></div>
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		<title>Nunca é só um beijo</title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/12/17/nunca-e-so-um-beijo/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/12/17/nunca-e-so-um-beijo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 22:41:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[balada]]></category>

		<category><![CDATA[encantamento]]></category>

		<category><![CDATA[libertinagem]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma"><img style="BORDER-RIGHT: #ffffff 4px solid; BORDER-TOP: #ffffff 4px solid; BORDER-LEFT: #ffffff 4px solid; BORDER-BOTTOM: #ffffff 4px solid" height="208" src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3767683.jpg" width="311" align="left" />O movimento da saia da loira chamou minha atenção, mas foram os olhos da morena que me anestesiaram para todo resto, música, álcool, risadas. O copo não caiu por um milagre.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Alguém puxava meu braço insistentemente. Não entendia que eu receberá um tipo de ordem irremovível, uma missão de salvamento. Da minha alma, da minha condição de homem inquieto. Tive que afastá-lo com uma cotovelada, sem outras palavras.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Caminhei passos no meio da multidão, sorrindo, eufórico. Ela já não sustentava seus olhos nos meus, dançava com sua amiga, braços no ar. Não importava. Confesso minha fraqueza: mulheres. Seus corpos se mexendo no ritmo da música apagam meus conceitos mais certos, como orgulho, amor próprio, respeito. Assim, constantemente sou fisgado. Viro um bandeirante português, rompendo o mato cerrado a minha frente com um facão, adentrando no mistério absoluto da alma feminina, da pele quente da mulher que transforma meu sangue <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?>
em fumaça. Fumaça pura.<br />
<br /></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Elas tinham um jeito, um rebolado efervescente, contagiante. Os caras mais próximos estufavam o peito, as invejosas caprichavam nas caras, nas bocas, tentando me retirar do meu destino. Morena.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Então novamente eram olhos. A leveza do verde, as sobrancelhas bem delineadas, uma maneira doce de franzir a testa, encolher a vista como se olhasse além de mim, desconectada do momento, livre do meu poder. Ela oferecia um desafio claro. Dizia com aquele meio sorriso que eu nunca a teria em meus braços, que não poderia brincar no seu umbigo, que não faria marcas em seu corpo, destroços em seu coração. Contei isso pra ela.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Contei mais coisas. Falei da minha vontade de pegá-la no colo e levá-la para conhecer os mais diversos paraísos do mundo, de carro, de nave, de caiaque. Confessei que queria vê-la nua, na varanda, olhando perdida as aves libertas, sobrevoando a rude arrogância do mar, enquanto eu observava suas costas, seus quadris. Disse-lhe então que a amaria tão forte, tão grande, que meu desejo abarcaria todo inverno e, inconcebível, aqueceria os mais tristes corações. Seríamos amantes, inventando novas normas na cama, como duas crianças que reaprendem toda arte de transar. Gritaríamos um pelo outro, simplesmente.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Suponho que ela não tenha escutado claramente nada disso. O som era muito alto. Entretanto, gostava da minha aproximação; as mãos ganhavam espaço. Primeiro os dedos finos, um anel acusador. A outra mão escapou pela cintura, nos braços. Logo peguei em sua nuca, como a martelada ante ao topo da montanha, certo que a tão esperada Nirvana estava a alguns palmos dali.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Fui empurrando nossos corpos contra a coluna de mármore. Sua amiga loira nos deixará a sós. Na realidade, tive certeza de que todas as pessoas na balada tinham ido embora, resignadas, compreendendo nossa necessidade última. Nossa respiração era sôfrega, por que nunca é só um beijo. Nunca é só uma ficada, nunca é só uma transa. Cada segundo é o derradeiro, por isso eu teimo com a rotina, com o cansaço, com o comum. Eu queimo a largada, eu antecipo o soco. Intenso, arrasto minha lírica aos retirantes do circo, aos executivos no prédio paulistano, as morenas da balada.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">A loira voltou. Puxou a amiga pelo braço, dizendo que era hora de dar tchau. Não insisti para que ficasse, permiti que partisse sem deixar nome, endereço, formação acadêmica.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Então, quando achei que era hora de encontrar meus amigos fraternos, olhei um movimento irresistível próximo ao bar, alguma coisa tão luminosa quanto a luz do primeiro dia de verão rompendo a copa das mais altas árvores. Era um sorriso. Tinha uma leveza, um desapego, como se não pudesse ser capturado, minimizado. Naquele momento, mais do que nunca, eu estava perdidamente apaixonado. Essa era ruiva. Caminhei passos decididos no meio da multidão.<br />
.</span></span></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma"><img style="BORDER-RIGHT: #ffffff 4px solid; BORDER-TOP: #ffffff 4px solid; BORDER-LEFT: #ffffff 4px solid; BORDER-BOTTOM: #ffffff 4px solid" height="208" src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3767683.jpg" width="311" align="left" />O movimento da saia da loira chamou minha atenção, mas foram os olhos da morena que me anestesiaram para todo resto, música, álcool, risadas. O copo não caiu por um milagre.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Alguém puxava meu braço insistentemente. Não entendia que eu receberá um tipo de ordem irremovível, uma missão de salvamento. Da minha alma, da minha condição de homem inquieto. Tive que afastá-lo com uma cotovelada, sem outras palavras.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Caminhei passos no meio da multidão, sorrindo, eufórico. Ela já não sustentava seus olhos nos meus, dançava com sua amiga, braços no ar. Não importava. Confesso minha fraqueza: mulheres. Seus corpos se mexendo no ritmo da música apagam meus conceitos mais certos, como orgulho, amor próprio, respeito. Assim, constantemente sou fisgado. Viro um bandeirante português, rompendo o mato cerrado a minha frente com um facão, adentrando no mistério absoluto da alma feminina, da pele quente da mulher que transforma meu sangue <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?><br />
em fumaça. Fumaça pura.</p>
<p></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Elas tinham um jeito, um rebolado efervescente, contagiante. Os caras mais próximos estufavam o peito, as invejosas caprichavam nas caras, nas bocas, tentando me retirar do meu destino. Morena.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Então novamente eram olhos. A leveza do verde, as sobrancelhas bem delineadas, uma maneira doce de franzir a testa, encolher a vista como se olhasse além de mim, desconectada do momento, livre do meu poder. Ela oferecia um desafio claro. Dizia com aquele meio sorriso que eu nunca a teria em meus braços, que não poderia brincar no seu umbigo, que não faria marcas em seu corpo, destroços em seu coração. Contei isso pra ela.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Contei mais coisas. Falei da minha vontade de pegá-la no colo e levá-la para conhecer os mais diversos paraísos do mundo, de carro, de nave, de caiaque. Confessei que queria vê-la nua, na varanda, olhando perdida as aves libertas, sobrevoando a rude arrogância do mar, enquanto eu observava suas costas, seus quadris. Disse-lhe então que a amaria tão forte, tão grande, que meu desejo abarcaria todo inverno e, inconcebível, aqueceria os mais tristes corações. Seríamos amantes, inventando novas normas na cama, como duas crianças que reaprendem toda arte de transar. Gritaríamos um pelo outro, simplesmente.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Suponho que ela não tenha escutado claramente nada disso. O som era muito alto. Entretanto, gostava da minha aproximação; as mãos ganhavam espaço. Primeiro os dedos finos, um anel acusador. A outra mão escapou pela cintura, nos braços. Logo peguei em sua nuca, como a martelada ante ao topo da montanha, certo que a tão esperada Nirvana estava a alguns palmos dali.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Fui empurrando nossos corpos contra a coluna de mármore. Sua amiga loira nos deixará a sós. Na realidade, tive certeza de que todas as pessoas na balada tinham ido embora, resignadas, compreendendo nossa necessidade última. Nossa respiração era sôfrega, por que nunca é só um beijo. Nunca é só uma ficada, nunca é só uma transa. Cada segundo é o derradeiro, por isso eu teimo com a rotina, com o cansaço, com o comum. Eu queimo a largada, eu antecipo o soco. Intenso, arrasto minha lírica aos retirantes do circo, aos executivos no prédio paulistano, as morenas da balada.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">A loira voltou. Puxou a amiga pelo braço, dizendo que era hora de dar tchau. Não insisti para que ficasse, permiti que partisse sem deixar nome, endereço, formação acadêmica.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="left"><span style="FONT-FAMILY: Raavi"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Então, quando achei que era hora de encontrar meus amigos fraternos, olhei um movimento irresistível próximo ao bar, alguma coisa tão luminosa quanto a luz do primeiro dia de verão rompendo a copa das mais altas árvores. Era um sorriso. Tinha uma leveza, um desapego, como se não pudesse ser capturado, minimizado. Naquele momento, mais do que nunca, eu estava perdidamente apaixonado. Essa era ruiva. Caminhei passos decididos no meio da multidão.<br />
.</span></span></p>
</div>
<div></div>
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		<title></title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/11/22/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/11/22/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2008 17:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<blockquote>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Verdana">Quando a tripulação do primeiro navio europeu desembarcou em terras americanas, trazendo doença, morte e desespero, foi o fim de milhares de culturas espalhadas em montanhas,&#160;em florestas, conhecedoras de astros e de sacrifícios humanos. No começo ninguém poderia prever que as mãos que traziam objetos espelhados, que imploravam pelos metais preciosos, esses de brilho opaco, raros pelo labor sangrento dos escravos, seriam também as mãos que queimariam a pele das crianças, abusariam da pureza das jovens, ceifariam a existência dos homens. Não houve tempo para o espanto. Alguns instantes, a fumaça da pólvora já se dissipará. Restou uma geração criada pelo estupro, terras cheias de riqueza para o povo do Velho Mundo, histórias&#160;criadas pelo ego, sacramentando o heroísmo de canalhas, a necessidade incoercível de vencer o mais fraco. <strong>Assim tem sido desde sempre.</strong> Você, leitor descontraído, que arma carrega? Que silvo proclama? Que raiva alimenta no teu coração? Segue qual liderança, a do teu peito? A do teu pai? Ainda que fuja por uma vida, chega o dia que teus flancos serão campo de guerra. Teu grito de gozo, tua esperança de eternidade, teu jubilo de amor... Para manter as regalias da carne, só a maldade servirá.<br />
<br /></span></p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Verdana"><img style="DISPLAY: block; WIDTH: 230px; HEIGHT: 205px" height="529" src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3702385.jpg" width="332" align="center" /></span></p>
</blockquote>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<blockquote>
<p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Verdana">Quando a tripulação do primeiro navio europeu desembarcou em terras americanas, trazendo doença, morte e desespero, foi o fim de milhares de culturas espalhadas em montanhas,&#160;em florestas, conhecedoras de astros e de sacrifícios humanos. No começo ninguém poderia prever que as mãos que traziam objetos espelhados, que imploravam pelos metais preciosos, esses de brilho opaco, raros pelo labor sangrento dos escravos, seriam também as mãos que queimariam a pele das crianças, abusariam da pureza das jovens, ceifariam a existência dos homens. Não houve tempo para o espanto. Alguns instantes, a fumaça da pólvora já se dissipará. Restou uma geração criada pelo estupro, terras cheias de riqueza para o povo do Velho Mundo, histórias&#160;criadas pelo ego, sacramentando o heroísmo de canalhas, a necessidade incoercível de vencer o mais fraco. <strong>Assim tem sido desde sempre.</strong> Você, leitor descontraído, que arma carrega? Que silvo proclama? Que raiva alimenta no teu coração? Segue qual liderança, a do teu peito? A do teu pai? Ainda que fuja por uma vida, chega o dia que teus flancos serão campo de guerra. Teu grito de gozo, tua esperança de eternidade, teu jubilo de amor&#8230; Para manter as regalias da carne, só a maldade servirá.</p>
<p></span></p>
<p align="center"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Verdana"><img style="DISPLAY: block; WIDTH: 230px; HEIGHT: 205px" height="529" src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3702385.jpg" width="332" align="center" /></span></p>
</blockquote>
</div>
<div></div>
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		<title></title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/10/29/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/10/29/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2008 03:44:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[noite estrelada]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Não é tua pele alva</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">De contornos inexprimíveis a língua humana</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Tão pouco teu cheiro de noite</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Encantado</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
<span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">N’alma antes mundana</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Alheia aos segredos da vida</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Paira agora o teu mistério</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Teu silêncio</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Ele é um repuxo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Maré prometida, imenso</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Claustro que me sufoca</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Enquanto não sinto que é meu</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Mastro que me orienta</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Luz que me renova</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Milagre em terra de ateu</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Não sei se te mordo te furto te amo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">O teu lábio entreaberto é miragem</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Me engano. Sou teu</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">E logo serás minha, meu bem<br />
.</span></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Não é tua pele alva</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">De contornos inexprimíveis a língua humana</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Tão pouco teu cheiro de noite</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Encantado</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
<span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">N’alma antes mundana</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Alheia aos segredos da vida</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Paira agora o teu mistério</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Teu silêncio</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Ele é um repuxo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Maré prometida, imenso</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Claustro que me sufoca</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Enquanto não sinto que é meu</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Mastro que me orienta</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Luz que me renova</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Milagre em terra de ateu</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Não sei se te mordo te furto te amo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">O teu lábio entreaberto é miragem</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">Me engano. Sou teu</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 11px; FONT-FAMILY: Tahoma">E logo serás minha, meu bem<br />
.</span></p>
</div>
<div></div>
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		<title>só do essencial</title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/09/15/so-do-essencial/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/09/15/so-do-essencial/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Sep 2008 18:17:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bodyboard]]></category>

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		<description><![CDATA[<blockquote style="FONT-SIZE: 11px">
<p align="justify"><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Acordar de manhã faz parte da rotina de qualquer filho da classe média, ansioso por um futuro cheio de tranquilidade. Ir para o trabalho em um ônibus lotado, talvez pegar aquela antiga mala do colégio, encher de livros jurídicos e frequentar a faculdade. Não importa. É preciso dormir pouco, trabalhar muito, estudar. Tudo durante a semana. Mas, nos sábados e domingos, a boa idéia é permancer na cama mesmo depois do despertar, enrolando, resmungando, esperando que algum imperativo do destino obrigue o abandono da preguiça e do descanço merecido.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">O mar é um imperativo na minha vida.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">São 8:00, o céu está nublado, feio. Eu olho as ondas da praia do Tombo, não consigo pensar em nada, só no vento gelado mexendo as folhas das árvores, furando minha pele com farpas. Seu cessar é um alívio, seu retorno um sortilégio. Bem, eu podia guardar a prancha na capa, deixar os pés de pato encostados, dormir um sono leve na rede do apartamento.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Corro até a beira da água. O movimento repentino afasta a sensação de que meu corpo vai congelar. Começa então o sacrifício. O surfista deve ceder grande parte da sua energia em remadas incansáveis em direção ao outside, afundando, voltando, respirando apressado, como louco. Cada onda ultrapassada faz com que prancha volte alguns metros, tornando o trabalho exaustivo, um jogo de paciência que nem todos conseguem vencer. Um local decente conhece todos os pontos certos onde pode ultrapassar. A um paulistano afoito resta testar a sua sorte. Talvez Netuno repare meu esforço atípico e abra os braços, em uma recepção calorosa.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Quase a eternidade até a arrebentação. Ao sentar na prancha e constatar que sacrifício foi concluído, advém o primeiro sorriso. Enquanto recupero minhas energias, observo outros shapes rasgando a crista, outros braços tocando a parede das ondas gordas. Vejo se&#160;há mulheres, se existe mais algum bodyboarder dentro da água.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Percebo o nível técnico acentuado dos companheiros dessa manhã. Todos possuem uma base sólida, atravessam a onda em linhas específícas, tiram muita água em cada batida. Antes do estalo, de entender exatamento onde acabei entrando, escuto os gritos de um surfitas, numa lycra vermelha.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">- Doidão, é campeonato!<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Não sei se soco a água gelada, com raiva. Não sei se dropo a melhor onda da série, e pergunto pro o juri o que acharam da minha atuação.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">São 11:00, eu mudo de praia, mas o céu continua o mesmo. Agora estou em Pitangueiras e carrego o castigo de desbravar mares que não estão a minha altura: caimbra. Ele ataca terrível a panturilha esquerda, trazendo dor, insatisfação, vontade de entregar os pontos, secar a prancha, guardar os pés de pato na garagem, deitar naquela rede espaçosa...<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Eu corro pro mar com medo das séries maiores, da inevitável dor na perna e, mesmo tendo que sair outras três vezes para esperar passar a caimbra, sou recompensado com as ondas buraco, os momentos memoráveis, que vão permear as horas e os minutos da minha labuta jurídica. Me salvar dos problemas maiores, dos dilemas da alma, das provas repentinas que devemos ao mundo.<br />
<br /></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Faço uma prece pra Netuno antes de dormir.<br />
<br />
<span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS"><img style="WIDTH: 287px; HEIGHT: 175px" height="505" src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3504641.jpg" width="706" /><br /></span></span></p>
</blockquote>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<blockquote style="FONT-SIZE: 11px">
<p align="justify"><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Acordar de manhã faz parte da rotina de qualquer filho da classe média, ansioso por um futuro cheio de tranquilidade. Ir para o trabalho em um ônibus lotado, talvez pegar aquela antiga mala do colégio, encher de livros jurídicos e frequentar a faculdade. Não importa. É preciso dormir pouco, trabalhar muito, estudar. Tudo durante a semana. Mas, nos sábados e domingos, a boa idéia é permancer na cama mesmo depois do despertar, enrolando, resmungando, esperando que algum imperativo do destino obrigue o abandono da preguiça e do descanço merecido.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">O mar é um imperativo na minha vida.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">São 8:00, o céu está nublado, feio. Eu olho as ondas da praia do Tombo, não consigo pensar em nada, só no vento gelado mexendo as folhas das árvores, furando minha pele com farpas. Seu cessar é um alívio, seu retorno um sortilégio. Bem, eu podia guardar a prancha na capa, deixar os pés de pato encostados, dormir um sono leve na rede do apartamento.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Corro até a beira da água. O movimento repentino afasta a sensação de que meu corpo vai congelar. Começa então o sacrifício. O surfista deve ceder grande parte da sua energia em remadas incansáveis em direção ao outside, afundando, voltando, respirando apressado, como louco. Cada onda ultrapassada faz com que prancha volte alguns metros, tornando o trabalho exaustivo, um jogo de paciência que nem todos conseguem vencer. Um local decente conhece todos os pontos certos onde pode ultrapassar. A um paulistano afoito resta testar a sua sorte. Talvez Netuno repare meu esforço atípico e abra os braços, em uma recepção calorosa.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Quase a eternidade até a arrebentação. Ao sentar na prancha e constatar que sacrifício foi concluído, advém o primeiro sorriso. Enquanto recupero minhas energias, observo outros shapes rasgando a crista, outros braços tocando a parede das ondas gordas. Vejo se&#160;há mulheres, se existe mais algum bodyboarder dentro da água.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Percebo o nível técnico acentuado dos companheiros dessa manhã. Todos possuem uma base sólida, atravessam a onda em linhas específícas, tiram muita água em cada batida. Antes do estalo, de entender exatamento onde acabei entrando, escuto os gritos de um surfitas, numa lycra vermelha.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">- Doidão, é campeonato!</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Não sei se soco a água gelada, com raiva. Não sei se dropo a melhor onda da série, e pergunto pro o juri o que acharam da minha atuação.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">São 11:00, eu mudo de praia, mas o céu continua o mesmo. Agora estou em Pitangueiras e carrego o castigo de desbravar mares que não estão a minha altura: caimbra. Ele ataca terrível a panturilha esquerda, trazendo dor, insatisfação, vontade de entregar os pontos, secar a prancha, guardar os pés de pato na garagem, deitar naquela rede espaçosa&#8230;</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Eu corro pro mar com medo das séries maiores, da inevitável dor na perna e, mesmo tendo que sair outras três vezes para esperar passar a caimbra, sou recompensado com as ondas buraco, os momentos memoráveis, que vão permear as horas e os minutos da minha labuta jurídica. Me salvar dos problemas maiores, dos dilemas da alma, das provas repentinas que devemos ao mundo.</p>
<p></span><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS">Faço uma prece pra Netuno antes de dormir.</p>
<p><span style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS"><img style="WIDTH: 287px; HEIGHT: 175px" height="505" src="http://amadeo.blog.com/repository/53692/3504641.jpg" width="706" /><br /></span></span></p>
</blockquote>
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>exercício nº 23</title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/08/04/exercicio-n%c2%ba-23/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/08/04/exercicio-n%c2%ba-23/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 21:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<blockquote style="FONT-SIZE: 10px">
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Na soleira do teu quarto aquecido <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Pelos carinhos,</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Deitei um poema sem rimas.<br />
<br />
Guarda contigo o mimo esquecido.</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Deixa na cama,</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Esconde na fronha, leva.<br />
<br />
Embala nos braços, finge ser eu,</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Que sou perdido.</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">A leveza dos meus passos<br />
<br />
Denuncia os meus crimes e pecados.</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Larguei você</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Na madrugada de cinzas.<br />
<br />
Restou apenas o bilhete borrado</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Pobre vestígio</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Desse amor combinado.<br />
<br />
Já não sinto você.<br />
.</span></font></font></font></p>
</blockquote>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<blockquote style="FONT-SIZE: 10px">
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Na soleira do teu quarto aquecido <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Pelos carinhos,</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Deitei um poema sem rimas.</p>
<p>Guarda contigo o mimo esquecido.</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Deixa na cama,</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Esconde na fronha, leva.</p>
<p>Embala nos braços, finge ser eu,</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Que sou perdido.</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">A leveza dos meus passos</p>
<p>Denuncia os meus crimes e pecados.</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Larguei você</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Na madrugada de cinzas.</p>
<p>Restou apenas o bilhete borrado</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Pobre vestígio</span></font></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2"><font face="arial,helvetica,sans-serif"><font style="FONT-SIZE: 11px" size="2"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Tahoma">Desse amor combinado.</p>
<p>Já não sinto você.<br />
.</span></font></font></font></p>
</blockquote>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Apnéia</title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/04/23/apneia/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/04/23/apneia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 19:09:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<blockquote>
<div style="text-align: justify">
<p><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Herdei um sobrado de madeira, construído nas areias de uma praia distante. Com curtos pilares em sua base, muitas portas e janelas, a estrutura parecia frágil, pronta para voar. Havia tábuas velhas no chão da varanda, buracos na escada que levava ao sótão, lâmpadas queimadas, princípios de cupim. O desconforto era evidente. Mas, mal nascia o dia, raios inundavam cada canto dos quartos, perfuravam cada falha nas paredes. Eu acordava, escutando as meninices e asneiras do mar. Soltava meu cachorro, esticava minhas pernas; agradecia pela graça indivisível de viver mais um dia.<br />
<br /></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Quando não admira as ondas, e tirava de suas formas a explicação fundamental, queria encontrar teu corpo vagueando perto da minha sombra; queria te achar deitada em minha cama, fingindo sem sucesso que ainda dormia; queria te abraçar quando, sentada no balcão da cozinha, desejava ardentemente salvar o mundo. Eu te contava meus segredos, pedia todos os dias permissão para recalcular com meus dedos as medidas do teu corpo. As vezes trocávamos a língua pátria por suspiros. Teus gestos tinham ondulações específicas; teus olhos me tornaram exímio praticante de apnéia - já podia ficar dois meses sem respirar.<br />
<br /></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Nessa existência repleta de horizontes e tempestades, nossas ambições foram aplacadas pela presença do mar. Não lembrávamos das vontades orientadas pela mídia; não tomávamos conhecimento das novas leis tributárias; não sufocávamos nossos amigos com fofocas. Ocupávamos o tempo sem ocupá-lo de verdade.<br /></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Certo dia, me dei conta que as ondas nunca embaralhavam. Sentei na areia branca e, deixando a contemplação de lado, investiguei cada marola, cada vala formada. Percebi então um padrão fixo na espessura da crista, um ponto exato onde as melhores séries quebravam. Não existia imprevisibilidade, mutação. As ondas se repetiam, como se um garoto jogasse uma mesma pedra, sempre com a mesma força, na piscina do clube, num domingo de tarde. Entrei temeroso no mar, nadei e percebi que a temperatura nunca mudava, o fundo de areia reagia impassível as minhas passadas. Lembrei finalmente de um outro mar, onde a perfeição era baseada exatamente na impossibilidade de repetição, na eterna novidade que cada nova maré trazia. Uma tristeza sem precedentes atacou minha alma, e eu acordei.<br />
<br /></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Hoje sento nas praias cheias de banhistas, vendedores, catadores de latinha, pseudo surfistas e não sinto saudade nenhuma daquele mar, daquele sobrado. Em compensação, conto os dias, as horas e os minutos para sentir sua presença novamente, por que pressinto que se fui apaixonado por sua miragem, por uma representação de sua essência, vou morrer de amores por sua forma real, imperfeita e incorreta.<br />
.</font></font></font></font></font></font></p>
</div>
</blockquote>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<blockquote>
<div style="text-align: justify">
<p><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Herdei um sobrado de madeira, construído nas areias de uma praia distante. Com curtos pilares em sua base, muitas portas e janelas, a estrutura parecia frágil, pronta para voar. Havia tábuas velhas no chão da varanda, buracos na escada que levava ao sótão, lâmpadas queimadas, princípios de cupim. O desconforto era evidente. Mas, mal nascia o dia, raios inundavam cada canto dos quartos, perfuravam cada falha nas paredes. Eu acordava, escutando as meninices e asneiras do mar. Soltava meu cachorro, esticava minhas pernas; agradecia pela graça indivisível de viver mais um dia.</p>
<p></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Quando não admira as ondas, e tirava de suas formas a explicação fundamental, queria encontrar teu corpo vagueando perto da minha sombra; queria te achar deitada em minha cama, fingindo sem sucesso que ainda dormia; queria te abraçar quando, sentada no balcão da cozinha, desejava ardentemente salvar o mundo. Eu te contava meus segredos, pedia todos os dias permissão para recalcular com meus dedos as medidas do teu corpo. As vezes trocávamos a língua pátria por suspiros. Teus gestos tinham ondulações específicas; teus olhos me tornaram exímio praticante de apnéia - já podia ficar dois meses sem respirar.</p>
<p></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Nessa existência repleta de horizontes e tempestades, nossas ambições foram aplacadas pela presença do mar. Não lembrávamos das vontades orientadas pela mídia; não tomávamos conhecimento das novas leis tributárias; não sufocávamos nossos amigos com fofocas. Ocupávamos o tempo sem ocupá-lo de verdade.<br /></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Certo dia, me dei conta que as ondas nunca embaralhavam. Sentei na areia branca e, deixando a contemplação de lado, investiguei cada marola, cada vala formada. Percebi então um padrão fixo na espessura da crista, um ponto exato onde as melhores séries quebravam. Não existia imprevisibilidade, mutação. As ondas se repetiam, como se um garoto jogasse uma mesma pedra, sempre com a mesma força, na piscina do clube, num domingo de tarde. Entrei temeroso no mar, nadei e percebi que a temperatura nunca mudava, o fundo de areia reagia impassível as minhas passadas. Lembrei finalmente de um outro mar, onde a perfeição era baseada exatamente na impossibilidade de repetição, na eterna novidade que cada nova maré trazia. Uma tristeza sem precedentes atacou minha alma, e eu acordei.</p>
<p></font> <font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Hoje sento nas praias cheias de banhistas, vendedores, catadores de latinha, pseudo surfistas e não sinto saudade nenhuma daquele mar, daquele sobrado. Em compensação, conto os dias, as horas e os minutos para sentir sua presença novamente, por que pressinto que se fui apaixonado por sua miragem, por uma representação de sua essência, vou morrer de amores por sua forma real, imperfeita e incorreta.<br />
.</font></font></font></font></font></font></p>
</div>
</blockquote>
</div>
<div></div>
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		<item>
		<title>Baile de máscaras</title>
		<link>http://ehofim.blog.com/2008/03/17/baile-de-mascaras/</link>
		<comments>http://ehofim.blog.com/2008/03/17/baile-de-mascaras/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 Mar 2008 15:13:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lukasmaio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[desejo atendido]]></category>

		<guid isPermaLink="false"></guid>
		<description><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Aprendi o teu nome.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Teu nome é Ilusão.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Na incerteza criada por essa descoberta,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Busquei os registros, os bilhetes, as cartas,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">As pistas que teu carinho me legou.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Procurei em vão respostas;</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Tua essência misteriosa, teu abandono,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Tua necessidade de liberdade.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Descobri, enfim:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Tu querias ouvir as mentiras do Poeta,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Sem imaginar que na lírica noturna,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Também se escondem desejos ordinários.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
O Poeta só anseia as facilidades,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Não busca, não luta, não invade limites;</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Não sufoca criminosos, não salva inocentes;</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Sonha.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Mas, quem sabe...</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Poderíamos colocar nossas fantasias</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Dançariamos, numa noite de sexta-feira</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Já despidos das máscaras,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Das promessas de fidelidade, do futuro,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Da poesia.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
O pecado da tua voz, o calor da tua pele,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Acalmariam minha razão,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Elevariam meu desejo e imprudência.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Nada seríamos, além do que um dia supomos:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Ressaca tempestade calamidade, meu bem</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Um rio repressado, rompendo seus diques,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Afoito, indigno,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">No silêncio arriscado da madrugada.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Escuto teus passos,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Pressinto teu gesto, teu gosto e perfume.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Sempre fui um viajante, buscando você.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Mas quem é você?<br />
*</font></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Aprendi o teu nome.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Teu nome é Ilusão.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Na incerteza criada por essa descoberta,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Busquei os registros, os bilhetes, as cartas,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">As pistas que teu carinho me legou.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Procurei em vão respostas;</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Tua essência misteriosa, teu abandono,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Tua necessidade de liberdade.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Descobri, enfim:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Tu querias ouvir as mentiras do Poeta,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Sem imaginar que na lírica noturna,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Também se escondem desejos ordinários.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
O Poeta só anseia as facilidades,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Não busca, não luta, não invade limites;</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Não sufoca criminosos, não salva inocentes;</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Sonha.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Mas, quem sabe&#8230;</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Poderíamos colocar nossas fantasias</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Dançariamos, numa noite de sexta-feira</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Já despidos das máscaras,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Das promessas de fidelidade, do futuro,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Da poesia.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
O pecado da tua voz, o calor da tua pele,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Acalmariam minha razão,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Elevariam meu desejo e imprudência.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Nada seríamos, além do que um dia supomos:</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Ressaca tempestade calamidade, meu bem</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Um rio repressado, rompendo seus diques,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Afoito, indigno,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">No silêncio arriscado da madrugada.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva"><br />
Escuto teus passos,</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Pressinto teu gesto, teu gosto e perfume.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Sempre fui um viajante, buscando você.</font></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><font size="2" face="trebuchet ms,geneva">Mas quem é você?<br />
*</font></p>
</div>
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