Eu aluguei um rifle de alto alcance, militar. Subi no prédio residencial, que fica em frente ao bar que ele costuma freqüentar. No último andar, morada de apenas uma senhora desbotada, debrucei-me na estreita janela e esperei. Esperei. Todo minuto pensava na liberdade que meu ato traria. O ar seria mais leve.
Finalmente ele saiu, meio melancólico, meio sorrindo. Antes de pressionar o gatilho de aço, no entanto, a mão que deixava o bar arrastou uma garota. Baixa, cabelos pretos, olhava tudo com um ar encantado, desnecessário. Uma gota de suor escorreu, da testa à bochecha, e caiu como um estrondo. O coração já em frangalhos, hesitou. Foi tempo suficiente para perder a oportunidade de matar o Poeta.
O desgraçado simplesmente dava um jeito de safar-se, toda vez. De nada adiantava queimar os livros, apagar os textos. Tudo era em vão. Ele contagiará a todos nós, como uma praga bíblica.