Quando eu era moço
Me disseram que o amor
É uma pedrinha luminosa presa
A outras pedras
No mais fundo do mar.
E que bastaria que eu
Pulasse sem medo e sozinho
Afim de buscar essa pedrinha
E todos os seus mistérios
Sentidos da alma humana
Então pulei sem hesitar
Milhares de vezes, de dia
De noite, em feriados santos..
Mas esqueceram de avisar o moço
Que era necessário tomar fôlego
Antes de qualquer esforço.
Incansavelmente eu pulava
E inexoravelmente me afogava
As vezes quase me afogava.
Das vezes que quase me afoguei
Sobraram versos e mensagens
Risadas e lamentos e maldades
Sobraram várias coisinhas pequenas
(Lembrança da expectativa de amor)
Das vezes que plenamente me afoguei
(Foram duas, Carlos)
Não restou nada.
Nunca sei ou saberei se realmente toquei
A pedrinha luminosa, se puramente desvendei
Seus segredos tão lentos, tão brandos.
Porque apesar de todo o esforço
Encontraram o bom moço
Largado em praia movimentada, sem memória,
Sem história, sem qualquer argumento
Pra falar do amor que viveu.
Esse vazio, vazio
Tem mais presença em mim
Do que todos os beijos desejos sensações.
Quando eu era moço
Me ocultaram a verdade (cretinos)
Que mais doído que amar
É ter que esquecer um grande amor,
Conviver com a saudade.
Que arde,
Até ser consumida por nova dor.